Disclaimer: Texto gigantesco. Provavelmente não agradável, mas extremamente necessário. De interesse de todos, já que todo mundo que eu conheço (e que realmente importa!) está enquadrado um uma das categorias "família", "namorado", "amigos". Texto integrante do projeto "Metas (Alcançáveis) Para Parar de Sofrer a Toa".
Mesmo sabendo que o amor é - supostamente - o sentido da vida, tem horas que, na verdade, ele significa "problema". E por melhor que seja amar alguém, amar demais se transforma num GRANDE PROBLEMA! E, num momento digno de epifania, eu descobri que boa parte dos meus problemas e (só pra ser dramática - ah, porque eu realmente AMO ser dramática!) também dos meus sofrimentos vêm do fato inequívoco de que eu sou uma pessoa que ama demais.
O momento epifânico me ocorreu no fim de semana e eu passei os últimos dois dias maturando a idéia até que ela estivesse minimamente coerente para ser transformada em texto que, como todos sabem, é o meu meio preferido de expressar meus sentimentos. Então eu fiz uma pequena relação das situações que me levaram a conclusão que eu amo demais, demais até do que seria mentalmente saudável, e também suas conseqüencias.
Sendo bem sincera, foi a relação quase de "quimicamente dependente" que eu tenho com os meus amigos que desancadeou tudo. Porque descobri que minhas amizades são os meus amores mais possessivos! Descobri que amo demais meus amigos porque quero falar mal e odiar o ex-namorado que magoou uma das minhas melhores amigas, mas aí sofro profundamente por não ser capaz de nem chegar perto disso, já que o "ex-namorado" também é meu melhor amigo!!
Conclui que amo demais os dois para ser egoísta o suficiente de lamentar a briga deles não só pelo fato de ambos estarem infelizes e insatisfeitos, mas também por isso complicar os planejamentos dos finais de semana subseqüentes. Percebi que por amá-los demais, nunca soube como lidar com o fato de achar que não daria certo, mas mesmo assim não comentar nada porque queria os dois felizes e junto COMIGO!
Levei um susto quando ouvi um sermão - muito bem aplicado por sinal, tanto que foi ele que deu início a epifania! - de outra amiga, dizendo que eu era dependente e centralizadora demais em não aceitar que meus amigos podem (e devem!) pensar diferente de mim, discordando de julgamentos e opiniões; que era infantil eu querer escolher por eles as pessoas com que deveriam sair (preferencialmente comigo, é claro!) e decidir o que deveriam ou não fazer, só porque era o que EU achava que era o melhor para eles...
Quando se ama uma pessoa é normal você quer estar presente na vida dela, ajudando, palpitando e convivendo junto. Mas você percebe que ama demais uma pessoa, e isso não é natural, quando começa a querer controlar a vida dela em todas as situações possíveis... =/ Foi horrível o choque que senti quando tal conhecimento me atingiu: eu cheguei ao cúmulo de querer escolher com quem meus amigos deveriam ou não brigar - nunca entre si! - e também seus motivos, ao invés de entender que cada um tem a sua vida e faz dela o que quiser, independente do que eu quiser para eles.
Percebi que talvez eu tenha passado tanto tempo cultivando com carinho e dedicação minhas amizades que em algum ponto indistinto desse caminho me considerei dona/proprietária delas... Tenho ciúmes, é claro! Tenho medo que conheçam novos amigos quando eu não estiver por perto, e por isso tento SEMPRE estar por perto... Tenho medo que se apaixonem por pessoas que eu não conheço, porque não quero vê-los magoados e, (eu deveria ter vergonha de dizer isso, mas vamos lá) principalmente, afastados de mim...
E isso foi só o começo! O que deu início a tudo, porque eu acho que eu penso demais nas coisas também e acabei achando várias situações que vão me matando aos poucos e me fazendo sofrer por amar demais...
Descobri que amo demais a minha família quando olhei a minha volta e vi as 6 pessoas mais diferentes de mim que poderiam existir em toda a face da Terra. E, apesar disso - e de todos os imensos problemas que isso acarreta! - a idéia de sair de casa é totalmente tentadora e assustadora ao mesmo tempo. Fico em casa mais tempo do que gostaria só para agradá-los porque, por alguma força que eu desconheço, ainda dependo da aceitação deles. E isso só pode ser amor demais...
Sei que amo demais meu namorado - mais até do que eu deveria deixar que ele soubesse - quando percebi o quanto um domingo sem ele é diferente. Por mais que eu estive em companhia das melhores pessoas do mundo, ele não estava lá comigo. Passei o dia todo pensando no que ele estaria fazendo e internamente remoendo em pensar se ele estava pensando em mim. E a idéia dele não estar me irritava MUITO! Ah, bom, eu já tinha uma idéia de que meu amor não é exatamente um amor normal e saudável, visto meu histórico de xiliques homéricos, ciúmes enlouquecidos e atitudes impensadas... Quem diria que alguém que sonhava ser uma workaholic bem sucedida iria deixar de estudar para entrar na faculdade dos sonhos só para não precisar mudar de cidade...
E eu amo demais até minhas amigas virtuais!! Nesse domingo me martirizei por ter "perdido" o aniversário da Giuli, que eu nunca vi pessoalmente, mas que sabe mais de mim do que muitas pessoas ao meu redor. Ela fez 18 anos e eu não a encontrei na net para dar os parabéns "online"! Eu queria que a Just morasse mais perto, de preferência no Estado de São Paulo (ou pelo menos no Brasil), para sonhar com a hipótese de um dia conhêce-la pessoalmente... Já sofro com a idéia da Fla estar desistindo das fics...
Por amar demais, eu me envolvo profudamente com a vida e a obra de pessoas que se passarem por mim um dia eu posso acaber não reconhecendo! Eu palpito descaradamente e tento manipular a vida delas igualzinho a dos meus amigos "reais"... (sorry pela sua festa de formatura, Giu!! =/) Prova disso é que eu quase não tenho tempo livre para dar conta de tudo que elas produzem, mas nem me passa pela cabeça a idéia delas arranjarem uma outra beta! Eu totalmente morreria de ciúmes!! >/ Elas são minhas autoras e EU quero ser a primeira a ler suas histórias!!
Entre outras coisas...
Até esse final de semana tinha medo que descobrissem o quanto sou egoísta e não me vissem mais pessoa que todos me consideram. Mas estabeleci como uma das minhas metas (entre as alcançáveis, pelo menos!) para "Parar de Sofrer a Toa" por para fora também essas coisas que, para começo de conversa, foi o motivo de eu ter criado o blog... Então aí está!
E se tenho alguma coisa para dizer em meu favor para tentar me desculpar de tudo isso, é afirmar (e vocês podem ter certeza!) que o que fiz e faço é sempre por amor...
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
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